Resenha – O Legado de Avalon: O Garoto, o Velho e a Espada

Nome: O Garoto, o Velho e a Espada
Autor: Luiz Fabrício de O. Mendes (Goldfield)
Editora: Compacta
Edição: 1º
Ano: 2016
Páginas: 360
Skoob

Sinopse:

Quando a lenda termina… a aventura começa.
Desde que a feiticeira Morgana Le Fay passou a perseguir e aniquilar os poucos descendentes do Rei Arthur, a Ordem de Excalibur encarregou-se de espalhá-los pelas colônias e países amigos do antigo Império Britânico… incluindo o Brasil do Segundo Reinado.
Mais de 150 anos mais tarde, Aurélio Britto, garoto morador da periferia do Rio de Janeiro fã de futebol de botão e games de estratégia, é atacado na casa do avô por um misterioso homem-onça. O dono do antiquário da esquina, senhor Campbell, revela-se na verdade o milenar mago Merlin, prestes a apresentá-lo a uma arriscada jornada de herói: sobreviver às investidas dos seguidores de Morgana e reencontrar a espada Excalibur, desaparecida nas mãos da Dama do Lago há mais de mil anos.
Junto com a implicante Gui (e ai de quem chamá-la pelo nome inteiro, “Guilhermina”!), o fã de rock Gabriel, o pessimista Bruno e o primo deste, Junior – além do avô Genaro – é formado um pacto em torno de uma mesa de parquinho redonda… visando o objetivo de restaurar o sonho de Camelot na pessoa de seu último herdeiro.

Resenha

Esse é um daqueles livros que o aficcionado por anime/mangá compraria só de olhar a foto do autor na contracapa, que está de cosplay do Gendo Ikari (Evangelion). Mas o livro também chama atenção por sua sinopse, que apresenta uma ficção histórica infantojuvenil que bebe das lendas do Rei Arthur e que, no entanto, é ambientada no Brasil.

Misturando os mitos

Parte da crítica voltada à ficção fantástica nacional almeja uma literatura inspirada em nosso folclore, mas isso não significa que não possamos importar elementos de culturas estrangeiras. Luiz Fabrício de O. Mendes, conhecido como Goldfield – devido às suas fanfics publicadas na internet –, entende que tanto os elementos nacionais quanto os estrangeiros não são excludentes, e por isso O Legado de Avalon foi possível de ser concebido. Trata-se de uma aventura que reúne as referências associadas à lenda do Rei Arthur e vários mitos brasileiros, como a existência da Cuca e da Iara, todas sustentadas por um fundo histórico fictício no qual fantasia e História encaixam-se uma na outra de maneira verossímil.

Para escrever uma história com essas características, o autor aproveitou-se dos conhecimentos adquiridos em sua formação de professor de História. Durante a aventura de Aurélio e sua turma, várias curiosidades históricas, geográficas e culturais são apresentadas ao leitor, além de vários outros detalhes que remetem a essa área do conhecimento, como o fato do protagonista jogar Age of Civilization e a primeira cena do romance ser uma brincadeira de STOP (adedonha) envolvendo quesitos históricos – “Hitler é…” foi um barato; será que Goldfield jogava isso no colégio ou mesmo no faculdade?

Mr. Campbell

O desenvolvimento da trama segue uma estrutura linear que casa perfeitamente com a tão conhecida Jornada do Herói, de Joseph Campbell. Inclusive, um dos personagens da história chama-se Campbell, em referência a esse pesquisador. Do Rio de Janeiro a Minas Gerais, a aventura tem de tudo um pouco: ação, comédia, drama, romance. Pode muito agradar os leitores que procuram uma história infantojuvenil equilibrada entre esses gêneros. A primeira metade do livro é um pouco morna, mas o desenrolar de alguns acontecimentos a partir da segunda metade proporciona um ritmo mais dinâmico e instigante à história.

Se você gosta do Merlin e da Iara, vai gostar deste livro

Em termos de linguagem, o autor oferece uma leitura razoável. Alguns problemas como o uso demasiado de gerúndio e frases muito longas quebram a continuidade da leitura. Há trechos que poderiam ter sido mais enxugados, principalmente no começo, e outros em que o autor acertou a mão e transmitiu acertadamente a sensibilidade dos personagens.

Sobre estes, em sua maioria, são interessantes. O protagonista, no entanto, não entra na lista dos três personagens mais carismáticos, a meu ver: o mago Merlin, a Iara (dama do lago) e a Guilhermina. Observar um mago em tempos contemporâneos é, no mínimo, curioso; além disso, por ser um dos mentores do grupo ao lado de Genaro, o avô de Aurélio, interage muito bem com esses personagens (sem levar em conta seu gosto por biscoitos de morango e sua fobia por espaços fechados). A Iara é aquela personagem de língua arisca que sabe desconcertar os personagens, Merlin principalmente, e que parece ser muito mais do que aparenta. Por fim, a Guilhermina é a menina de atitude e temperamento forte que é responsável também por impulsionar a parte romântica da história, mas a seu jeito (talvez se eu fosse um moleque de doze anos eu me apaixonaria por ela da mesma forma que me apaixonei pela Hermione).

Um bom começo

O Garoto, o Velho e a Espada é apenas o primeiro volume de uma série que ainda está sendo escrita (o segundo volume — A Profecia do Condestável — já está disponível). É provável que o enredo e os personagens amadureçam nas próximas aventuras do último descendente do Rei Arthur, recheadas com o mesmo tempero histórico e fantástico com os quais esse primeiro livro foi cozinhado. 

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